Shirin Neshat

ARTIST

Shirin Neshat

Uma obra em vídeo não teria em princípio lugar nesta edição da Bienal de Curitiba, dedicada ao tema da arte da luz em si mesma. Todas as obras aqui exibidas deveriam ter a luz como suporte, matéria, forma e conteúdo. Não há, porém, como mostrar aqui certas manifestações da luz como aquelas relacionadas com a sua dimensão negativa, com o conjunto de efeitos contrários àqueles apresentados nas narrativas da luz vista como entidade da abertura, de revelação, do saber e, em última instância, da vida. É o que se vê neste vídeo de Shirin Neshat que representa a essência da luz da guerra, da luz das trevas, e que não poderia ser exibida diretamente neste momento que é o da mostra. A luz das trevas é a luz do passado e a luz iminente do futuro.

Teixeira Coelho | Curador

Shirin Neshat viveu nos Estados Unidos, para um exílio auto-imposto de sua terra natal, o Irã, na maior parte da sua vida adulta. Fotografia, vídeos provocantes e instalações multimídia ressoaram pelos curadores de importantes exposições de arte internacionais, incluindo a XLVII Bienal de Veneza, onde ela ganhou o prêmio em 1999. A artista iraniana Shirin Neshat explora o paradoxo de ser uma artista no exílio: uma voz para o seu povo, mas impedida de voltar para casa. Em seu trabalho exposto na Bienal Internacional de Curitiba, ela explora o Irã antes e depois da Revolução Islâmica, traçando mudanças políticas e sociais através de imagens fortes de mulheres.