Trilogia da Luz

 

BRANCO SOBRE BRANCO ESPAÇOS E ARTISTAS

Cotejando a proposta de Teixeira Coelho, Curador Geral da Bienal Internacional de Curitiba 2015, que selecionou o tema “Luz como pretexto, motor e matéria, além de conteúdo e forma”, o FICBIC contempla o design do diafragma, que permite a entrada da luz na câmera, e remete à imagem da íris do olho humano. Com esta imagem, propomos uma Trilogia da Luz: a luz da câmera, a luz do olhar do cineasta e o olho-luz do espectador. Nestas passagens pelos feixes de luz, há uma transmissão de conceitos e reflexões sobre o estado da arte cinematográfica e as tensões e
apreensões dela advindas.

Os variados enfoques representativos de cineastas dos 25 países contemplados nos oferecem panoramas que transmitem luminosidades das mais diversas, em seus frames analógicos e digitais, materializados na identidade visual do amarelo vibrante. Frames analógicos, frames digitais. Panorama do Cinema Mundial, Panorama do Cinema Brasileiro. Cinema em Retrospectiva. A seleção de longas e curtas do Panorama do Cinema Mundial pretende descortinar um cenário contemporâneo de enfoques e pontos de vista diferenciados, com filmes inéditos em Curitiba e premiados em festivais internacionais contemporâneos com perfis e parâmetros distintos. O Panorama do Cinema Brasileiro segue o critério de ineditismo em Curitiba e de seleção em festivais nacionais e internacionais.

Na busca por um cardápio de títulos que refletisse a riqueza e a diversidade, foram acompanhadas de perto as mais recentes edições de festivais com diversos perfis, desde os mais tradicionais e consagrados, como Cannes (França), Berlim (Alemanha) e Veneza (Itália), até eventos com forte ênfase na produção independente, a exemplo do Festival de Sundance (Estados Unidos). O Festival de Toronto (Canadá), por sua vez, também foi contemplado, por se tratar de um evento que serve de termômetro para a medição das potencialidades de distribuição e comercialização dos filmes selecionados.

Receberam igual atenção os festivais voltados ao cinema de invenção, de viés mais experimental e com foco na autoria e na expansão dos limites da linguagem cinematográfica. Entre eles, os de Locarno (Suiça), Roterdã (Holanda), Clermont Ferrand (França) e Oberhausen (Alemanha). Nas várias mostras que integram esses festivais, suas respectivas curadorias procuram atuar como sondas em busca de obras instigantes que representem inquietude e ousadia formal, além de temáticas urgentes, seja no âmbito político, social ou cultural. Esses festivais são fortes sinalizadores dos rumos que o cinema mundial está a tomar.

Em se tratando de mostras de relevância no cenário nacional, foram escolhidos filmes selecionados e bem recebidos nos veteranos festivais de Brasília e Gramado, e nos mais jovens, porém igualmente relevantes, Festival do Rio (RJ) e Mostra de Cinema de Tiradentes (MG).

O Cinema em Retrospectiva: Pablo Trapero oferece filmes já renomados, que serão revisitados e que pertencem a uma linhagem representativa da Argentina, país que tem desenvolvido uma cinematografia densa, com enfoques filosóficos e temas que repercutem nos países latinoamericanos. A Curadoria do FICBIC 2015 procurou estabelecer um diálogo entre as diversidades temáticas e formais dos longas e curtas do Panorama Mundial e Brasileiro, o tema Luz do Mundo e os festivais que, de maneiras inusitadas ou mais tradicionais, oferecem-nos uma multiplicidade de vozes que formam o cenário atual do cinema. O conceito da Curadoria, a Trilogia da Luz, da câmera-olho, do olhar do cineasta e do olho-luz do espectador, enfoca nos frames seu ponto de convergência, enfatizando novamente o encontro anual do público com os realizadores, críticos e pesquisadores de cinema.

Denize Araujo / Paulo Camargo