SITE - DSC_6134
09 11 15
blog

Museu de Arte Sacra recebe obra “Estações”, de Antonio Arney, a partir de 14 de novembro

Curitiba, novembro de 2015 – Não é todo dia que Antonio Arney reaparece em espaços expositivos de Curitiba. E fazê-lo no Museu de Arte Sacra dá um significado ainda maior ao título da mostra, simbolicamente, como estações da vida, do tempo, como também dos passos últimos que Cristo sofreu por ter sido criado à nossa imagem e semelhança.  O conjunto de quatorze pinturas do artista – uma síntese de sua produção muito ativa – fala da natureza do tempo que habita nelas, com as suas camadas entranhadas na madeira, uma matéria-prima sempre constituinte, que oferece certa dramaturgia na própria paisagem de sua pintura. Em parte, pela escolha de um material desprezado, quase avesso a esse meio e, sobretudo, por estar erosionado […]

Sua poética levanta uma trama compositiva, que abriga ao mesmo tempo um desejo construtivo de ordem e uma geometria acidentada que parece fazer desabar a essência pura dessa construção de medidas e proporções justas seja pelo uso da cor vermelha, cor de sangue, da paixão, que está na base e no sustento das imagens oferecidas como partitura dominante, ou pela tridimensionalidade das colagens de rejeitos ou objetos. Com a força emblemática da imagem, essa tridimensionalidade  é conquistada pelas camadas superpostas de papeis (banhados em anilina e furados, por exemplo), pelos relevos irregulares das madeiras assim como pela presença de parafusos, puxadores, maçanetas.

A obra instaura uma situação de fronteira com um equilíbrio que exala a arquitetura de abóbodas, meias-luas, colunas e coloca em jogo a pintura e abriga seu próprio espírito visual. Como ícone e emblema de nossa contemporaneidade que guardam talvez certa aura espiritual in absentia. De fato, apesar desta pintura não ter nenhuma imagem religiosa (como acontecia com os campos de cor de Rothko ou as abstrações líricas de Mira Schendel), ela respira também um ascetismo rigoroso, uma austeridade idealizada em seu sonho geométrico, de medidas que procuram um equilíbrio transcendente ainda que tão humano, tão cheio de ruídos e acidentes em sua superfície ampliada. A travessia da madeira aporta também um grau de impureza (“a madeira limpa para mim não tem valor”, comentava o pintor há pouco tempo) e, sobretudo, abriga uma arquitetura temporal, camadas como alicerces e vice-versa. Neste vocabulário identificável de Arney, há décadas concentrado nas estações mais como séries que como fases, o tempo é um ingrediente substantivo, um sentimento espacial. “O tempo é minha matéria” dizia um verso de Drummond de Andrade, a pintura de Antonio Arney parece confessar o mesmo.

 

Sobre o artista Antonio Arney:

Antonio Arney, em sua produção, realiza trabalhos em madeira com a colagem de materiais diversos e pintura. Nascido em 1926 (Piraquara). Esta mostra dá início a uma série de exposições pela comemoração de seus 90 anos a serem completados em 2016. Artista autodidata aprende o ofício de marcenaria com seu pai. Sua longa trajetória profissional começa em Curitiba, desde o final dos anos 1950, com participação no Círculo de Artes Plásticas, na Galeria Cocaco e posteriormente, no coletivo paranaense  Grupo Um.

Em seu currículo constam inúmeros prêmios sendo oito premiações no Salão Paranaense e, participação de importantes mostras nacionais e internacionais como: I e II Panorama de Arte Atual Brasileira – MAM/ SP (1969 e 1970), Pré-Bienal de São Paulo (1970) e a XI Bienal Internacional de São Paulo (1971), onde dez obras da terceira série intitulada “Comparação de Valores” foram exibidas na sala do artista. Integrou a Brasil Plástica 72 e I e III Salão Nacional de Artes Plásticas (1978 e 1980), no Rio de Janeiro. Sua obra integra acervos públicos do Museu Oscar Niemeyer, Museu de Arte Contemporânea (PR), Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte da UFPR e Museu Municipal de Arte de Curitiba e importantes coleções particulares.

 

Adolfo Montejo Navas é poeta, critico e curador independente. Correspondente da revista internacional Lápiz de Madri e colaborador de publicações culturais de Brasil e Espanha. Sua última produção são as curadorias: Fotografia Transversa, Fundação Vera Chaves Barcellos, Viamão-Porto Alegre, 2014  e Imagética – Ana Vitória Mussi (1972-2015), Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2015 (com Marisa Flórido Cesar), assim como é autor de diversos livros: Poiesis Bruscky(Cosac Naify, 2013) e co-autor de Mário Carneiro – Trânsitos (Circuito, 2014), entre outros. 

 

Eliane Prolik é artista plástica e curadora independente. Expõe atualmente sua obra Red Ahead, na Bienal de Curitiba, MON; na TRIO Bienal, Rio de Janeiro; Projeto Arte e Indústria, MAC USP, São Paulo. Em 2009 e 2010 coordenou as mostras e publicações Miguel Bakun – A Natureza do Destino, Casa Andrade Muricy em Curitiba e Instituto de Arte Contemporânea, em São Paulo e Miguel Bakun – Na Beira do Mundo, Museu Oscar Niemeyer. Sobre sua produção: Eliane Prolik – Matéria do Mundo (2014), Eliane Prolik (2011) e Noutro lugar: Eliane Prolik (2005).

 

 

SERVIÇO: ENTRADA FRANCA

Período: de 14 novembro a 2015 a 14 fevereiro 2016

Funcionamento: terça a sexta 9 às 12h e das 13 às 18h

Sábado, domingo e feriados 9 às 14h

 

MUSEU DE ARTE SACRA DA ARQUIDIOCESE DE CURITIBA – MASAC

Rua Claudino dos Santos, s/n  Largo da Ordem

 

6 Comentários para "Museu de Arte Sacra recebe obra “Estações”, de Antonio Arney, a partir de 14 de novembro"

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *