Exposição de Juliana Stein fica no MON até dia 03/06/2018

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“Não está claro até que a noite caia” fica em cartaz até dia 03/06 no Museu Oscar Niemeyer

A mostra “Não está claro até que a noite caia”, da artista Juliana Stein, com curadoria de Agnaldo Farias, integra a “Bienal de Curitiba 2017”.

Na exposição a artista explora as questões sobre os processos de produção da imagem fotográfica e os processos de leitura envolvidos. As obras apresentam indagações como “existe uma imagem para cada palavra? Existe uma palavra para cada imagem?” Para a artista, “a fotografia tem este caráter de traço, de ter estado na frente do objeto e, apesar disto, de funcionar dentro de um circuito enquanto algo lhe falta. A imagem fotográfica é o registro de algo, mas do quê?”.

 

 

 

Não está claro até que a noite caia

 

Arrisco, com a escrita deste texto, traçar um desenho sobre a produção dos trabalhos desta mostra. Mais precisamente sobre o lugar de onde creio partir e me enredar ao que digo aqui. Começo apontando para a sensação de que falharei e de que, como me parece, este é o risco inerente à escrita e à leitura. Sujeito-me ao risco desta escrita-desenho sob a perspectiva de que, numa frase pronunciada ou escrita, alguma coisa se estatela.

A fotografia tem este caráter de traço, de ter estado na frente do objeto e, apesar disto, de funcionar dentro de um circuito enquanto algo lhe falta.

A imagem fotográfica é o registro de algo, mas do quê? Tomando um lugar em relação a esta nebulosa verdade de que algo esteve ali da fotografia, recorro ao que ali está disposto como estatuto de letra, traço unário da escrita e que aparece como um saber que não se sabe.

Mas que tipo de semelhança pode haver entre as palavras e as coisas?

Falar e querer dizer não são a mesma coisa. Nas minhas palavras há sempre mais do que quero dizer e sempre outra coisa. Acompanhar a noite das coisas, especialmente daquelas em que o sentido é um risco e não pode ser muito bem previsto pois está sempre mais além. Falamos para dizer a verdade, que não se diz toda porque as palavras faltam.

Não está claro até que a noite caia é uma tentativa de articular espaços da fotografia em torno do sentido opaco das coisas que escapam e que nos inscrevem mais do que podemos escrever sobre elas.
Temendo e desejando estar, eu mesma, numa posição não tão visível, ocupo-me aqui justamente destas coisas que só se entregam, só se esclarecem quando olhamos meio de lado.

Texto por Juliana Stein

Agnaldo Farias
Curador do MON Curator

 

Aproveite para conhecer um pouco mais sobre a exposição e as obras da artista Juliana Stein.

 

 Juliana Stein | agora que você chegou até aqui, 2017

 

Em seu texto sobre a temática da Bienal “Antípodas: Diverso e Reverso”,  Tício Escobar,  ao refletir sobre a Diversidade do Olhar, insere a relação entre imagem e texto, uma questão-chave da arte contemporânea. Para ele, a “artista Juliana Stein problematiza essa relação apoiando-se na noção de traço compartilhada pela fotografia e pela escrita. Mas a impossibilidade de que uma e outra se unam gera um excedente e uma falta. O traço pode registrar até certo ponto, a partir do qual começa uma pura ausência; gera-se, então, um curto-circuito na significação, um breve espaço em branco onde palavras e imagens perdidas são vislumbradas.”

 

Juliana Stein | nós, 2017

 

Na visão de Agnaldo Farias,  o curador da mostra, a artista  “ realiza uma mudança drástica dentro de seu percurso, uma guinada que ajudará o público a entender a amplitude intelectual dessa grande artista, além de compreender a natureza movediça das fronteiras da arte”.

 

Juliana Stein | risco, 2017

 

Segundo Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON,  abordar diversas linguagens artísticas faz parte de seu escopo nestes 15 anos de atuação. Ela destaca que museu ” empenha-se no aprimoramento do seu calendário expositivo para entregar ao público as mais instigantes propostas nas artes visuais, arquitetura e design. Juliana Stein é uma artista singular que utiliza os mais diversos suportes para desafiar o público a uma reflexão sempre muito aprofundada da expressão artística, e se destaca ainda por ser a única mulher representante do Paraná 55ª Bienal Internacional de Veneza, realizada em 2013”.

 

 

Foto: Claiton Biaggi

 

Para o secretário de Estado da Cultura, João Luiz Fiani,  Juliana Stein, assim como a Bienal, “nos provoca e estimula.” No primeiro caso, “surpreende a cada edição”, e no caso da artista, “ao nos sugerir uma mostra reflexiva, que vai além do óbvio, dando luz às nuances da fotografia. ”

 

Fonte: Bienal e  MON

 

 

 

 

Confira mais registros da série no site da artista. 

 

 

Além da fotografia

Juliana ainda participou da Bienal de Curitiba com suas obras presentes na exposição “Além da fotografia”, sob curadoria de Tício Escobar.

Uma obra que pode e deve ser tocada. Para o curador Tício Escobar, ela “explora a tensão entre o visível e o não-visível assim como o desejo do olhar, que converte esta tensão em litígio entre o visível e o visual”. O trabalho de Juliana Stein, fez  parte da exposição Além da Fotografia, esteve presente na Sala 1 do MON e trouxe para os espectadores o registro das formas presentes nos desenhos de calçadas públicas transcritos em braile: “…um convite para além das linguagens. É para os sentidos.”

 

Série “Tudo o que é sólido permanece no ar”, 2017. 14 fotografias impressas em Lambda, 14 fotografias impressas em Braille 30x24cm cada.

 

Em seu texto de apresentação da mostra, Tício ressalta que “as fotografias de desenhos de calçadas públicas são transcritas em braile, tornando-se, assim, não só signos puramente táteis, mas também imagens parcialmente indicadas por sombras breves, definidas pelo branco puro do suporte: faltas na ordem da representação fotográfica. Estas fendas manifestam os espaços vazios deixados pela tradução de um sistema de signos para outro. Se a linguagem não é capaz de preenchê-las, o sentido deverá, então, ser rastreado no próprio fundo do indecifrável ou tateado na calada superfície do não-visível.”

 

Te empresto meus olhos

Apresentando o resultado da produção do grupo de pessoas com deficiência visual que frequentou a Oficina de Fotografia organizada por Juliana Stein na Seção Braille da Biblioteca Pública Do Paraná,  a exposição “te empresto meus olhos” também fez parte da Biena de Curitiba ’17.

 

 

A exposição teve objetivo de refletir sobre temas centrais na fotografia contemporânea, envolvendo, sobretudo, a experiência da imagem — seus modos de aparição e produção. Os alunos Adriana Barbosa, Isabel Bruck, Wagner Bittencurt, Antônio Nunes e Anastácio Braga, que acompanham a oficina desde seu início, assinam — e estão retratados — nas fotografias da mostra. Nos registros, fragmentos dos processos de produção da oficina que iniciou suas atividades em 2015 e que acontece pelo terceiro ano consecutivo.

Entre outubro e dezembro de 2017. A mostra  esteve presente no Saguão da Biblioteca Pública do Paraná, fez parte dos  Circuitos da Bienal de Curitiba.

 

 

A artista

Juliana Stein nasceu em Passo Fundo (RS), formou-se em Psicologia pela UFPR em 1992, viveu por dois anos em Firenze e Veneza (onde estudou história da arte, técnica em aquarela e desenho) e trabalha com fotografia desde o final dos anos 1990. Com uma obra amplamente reconhecida no Brasil e no exterior, participou da 55ª Bienal Internacional de Veneza, da 29ª Bienal de São Paulo e expôs na Crone Gallery em Berlim, na ShangART Gallery em Xangai e no Carreau du Temple, em Paris.

 

 

Serviço

 

Exposição “Não está claro até que a noite caia” – fotografias de Juliana Stein

Período expositivo: até 29 de abril de 2018
Terça a domingo, das 10h às 18h
R$20,00 e R$10,00 (meia-entrada)
Venda de ingressos e acesso às salas de exposição até 17h30
Entrada gratuita às quartas-feiras

 

Museu Oscar Niemeyer

Rua Marechal Hermes, 999 – Centro – Curitiba/PR
41 3350 4400
museuoscarniemeyer.org.br