Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, na abertura da Bienal

Nos siga nas redes sociais

Cultura é ativo econômico

Fonte: Revista Aldeia 
Texto Rejane Martins Pires
Fotos Divulgação

ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão na abertura da Bienal. Registro Mariana Alves

Ao defender a cultura como ativo econômico e como fator de congregação entre povos durante a abertura de Bienal de Curitiba, no dia 30 de setembro, no Museu Oscar Niemeyer, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão salientou que a cultura tem uma importância transcendente para a inclusão social, para a formação da identidade cultural nacional e para o aumento do sentimento de pertencimento, além, é claro, da dimensão econômica, um front de desenvolvimento ainda não devidamente explorado. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sá Leitão, 49 anos, foi repórter e editor do Jornal do Brasil e da Folha de S.Paulo. Em entrevista à Aldeia, falou sobre o papel da arte, liberdade de expressão, proteção às crianças e os últimos episódios envolvendo arte contemporânea.

Qual é o papel da arte?

Arte é transcendência. É o que nos enleva e justifica a existência para além da satisfação das necessidades básicas, para além da sobrevivência. A arte tem e manterá sempre este papel.

Vivemos um momento de questionamento da arte contemporânea. Como analisa isso?

Nós temos que, sobretudo, prezar pela liberdade de criação, expressão e manifestação. Acho que o debate, a controvérsia, a polêmica são próprios da arte. Esta é uma das suas funções principais, questionar o status quo, o establishment, o senso comum, prezar a liberdade de criação e expressão, naturalmente, tomando certo cuidados, principalmente quando se refere a crianças e adolescentes. Temos que ter esta preocupação de preservar e protegê-las.

Há alguma incompatibilidade nisso?

Não há. Não são incompatíveis. É possível claramente conciliar a proteção das crianças e dos adolescentes, que é necessária e tem previsão constitucional, com a liberdade de criação, manifestação e expressão, também previstas na Constituição Federal.

Qual é o caminho?

Para resolver o ponto mais importante disso tudo, que é a idade, eu tenho defendido a ideia de estender para exposições de artes visuais o princípio da classificação indicativa, algo bastante simples. Você informa ao público a natureza do conteúdo que está sendo exibida, determina qual faixa etária pode ter acesso aquilo. Os pais, como responsáveis, tem duas implicações: direito e dever. Podem autorizar ou não. Já temos isso no cinema, TV, games e teatro.

Seria uma espécie de salvaguarda?

Sem dúvida, uma salvaguarda importante para a arte e para os próprios artistas. Ninguém é obrigado a ver uma exposição. As pessoas veem uma exposição por livre e espontânea vontade. Porém, quando se abre para escolas, as crianças estão sendo levadas a ver. Não é um ato de vontade delas e os pais precisam ser informados e exercer o seu pátrio poder, decidindo se o conteúdo é adequado ou não para seus filhos.

Em termos de criação artística e política cultural, como está o Brasil em relação ao resto do mundo?

Brasil está muito bem. Temos fluxos e refluxos na política cultural, mas do ponto de vista da vitalidade e da potência, da criatividade da arte brasileira vivemos um momento ímpar, um excelente momento. Hoje temos uma imensa quantidade de artistas das diversas áreas da expressão e da criação artística trabalhando e difundindo suas obras com reconhecimento não só no país, como fora do país. Acho que nunca tivemos um momento tão intenso e expressivo quanto este.

Para encerrar, qual a sua percepção da Bienal de Curitiba?

É uma produção muito potente e intensa, não só dos chineses mas de todos os artistas. Uma experiência fascinante. O próprio Museu Oscar Niemeyer é um espaço espetacular, muito bem gerido e administrado. A curadoria é excelente. Sem dúvida, uma das principais instituições culturais do país.

A BIENAL

Intitulada “Antípodas – Diverso e Reverso”, a Bienal de Curitiba exibe trabalhos de artistas brasileiros e de países dos cinco continentes. A mostra, que se espalha por toda Curitiba, pode ser vista até 25 de fevereiro do próximo ano. Realizada há 24 anos, a Bienal é reconhecida como o maior evento de arte contemporânea da América Latina e um dos principais eventos de arte do circuito mundial. Nos cinco meses do evento são esperados mais de um milhão de visitantes.