Alex Flemming nos 25 anos da Bienal de Curitiba

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Obra de Alex Flemming

Em 2018 a Bienal de Curitiba completa 25 anos e, para comemorar este marco, irá presentar a Capital com uma obra do artista Alex Flemming. Assim como aconteceu na instalação criada pelo artista na Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, em 1998, esta nova produção trará retratos de pessoas comuns, sobrepostos fragmentos de poemas de escritores brasileiros.

No caso de São Paulo, os 44 retratos frontais eram acompanhados de poemas com letras borradas, certos trechos invertidos ou ausentes e mesmo assim permitindo a compreensão do texto.

Montagem: Foto da esquerda e central, reprodução fotográfica Romulo Fialdini. Foto da direita, autor desconhecido

 

Nas palavras do artista, “minha ideia, ao fotografar pessoas anônimas que frequentavam o Metrô, era recobri-las com poemas. Vem do conceito de que todas as pessoas têm poesia dentro de si, cabendo ao ‘outro’ decifrá-las”.

 

Direção do vídeo: Paulo Baroukh

 

Livo do Metrô de SP

A obra mais conhecida de Alex Flemming é uma instalação realizada em 1989 na então Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, que posteriormente incorporou o nome de Santuário Nossa Senhora de Fátima, constituída por 44 retratos em alto-contraste, impressos sobre vidro, enfileirados, 22 numa plataforma e 22 na outra, contendo vinte e dois poemas de autores brasileiros, grafados livremente em preto, negativo ou em cores, às vezes borradas, sem alinhamento e sem se preocupar com separação silábica. A utilização de palavras impressas sobre suportes diversos, tais como poltronas, é um dos traços mais característicos do processo criativo do artista.

As vinte e duas imagens, todas frontais, do tipo fotos para RGs ou passaportes, remetem à questão da identidade e, ao mesmo tempo, da alteridade, ou seja, do respeito pelo outro, pela diferença. As imagens, solarizadas, praticamente desprovidas de áreas cinzentas se destacam por fortes contrastes de luz e sombra. Na produção da obra, o artista considerou tanto o efeito da luz natural do dia como da luz artificial da noite sobre os vidros impressos tendo-se em vista uma boa visualização. Os diversos elementos agenciados por Alex Flemming na criação da obra, entre eles o contraponto das imagens artificiais e da paisagem natural da Avenida Sumaré que se descortina através do vidro, resultaram não apenas numa instalação fotográfica de sólido impacto visual como também num consistente discurso político sob forma plástica.

Via 

 

Biografia

Alex Flemming (São Paulo SP 1954). Pintor, escultor e gravador. Freqüenta o curso livre de cinema na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, entre 1972 e 1974. Cursa serigrafia com Regina Silveira (1939) e Julio Plaza (1938-2003), e gravura em metal com Romildo Paiva (1938), em 1979 e 1980. Na década de 1970, realiza filmes de curtas-metragens e participa de festivais. Em 1981, viaja para Nova York, onde permanece por dois anos e desenvolve projeto no Pratt Institute, com bolsa de estudos da Fulbright Foundation. A partir dos anos 1990, realiza intervenções em espaços expositivos e pinturas de caráter autobiográfico. Passa também a recolher móveis como cadeiras e poltronas, para utilizar em seus trabalhos, aplicando sobre eles tintas e letras ou textos. É professor da Kunstakademie de Oslo, na Noruega, entre 1993 e 1994. Reside na Alemanha a partir de 1995, e continua expondo freqüentemente no Brasil. Em 1998, realiza painéis em vidro para a Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, com fotos de pessoas comuns, às quais sobrepõe com letras coloridas trechos de poemas de autores brasileiros. A representação do corpo humano e os mapas de regiões em conflito estão na série Body Builders (2001-2002). Em 2002, são publicados os livros Alex Flemming, pela Edusp, organizado por Ana Mae Barbosa (1936), com textos de diversos especialistas em artes visuais, e Alex Flemming, uma Poética…, de Katia Canton (1962), pela editora Metalivros, e, em 2005, o livro Alex Flemming – Arte e História, de Roseli Ventrella e Valéria de Souza, pela Editora Moderna.

via e  Bienal 2015

 

Foto: site aamac

 

Conheça o trabalho de Alex Flemming

http://alexflemming.com.br/