Jung 55

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No subsolo do Museu Oscar Niemeyer, próxima à rampa que dá acesso às salas de exibição, há uma porta que está sempre fechada. E, nessa porta, toda semana, uma explicação diferente de por que o acesso do público não é permitido além da porta: a mudança do horário de verão, um aluno que chegou atrasado para o ENEM, os protestos de massa no Irã, e até o reatamento do namoro de #brumar.
Trata-se da obra Jung 55, também conhecida como “Excuse Door”, da artista suíça Florence Jung, sob curadoria de Fernando Ribeiro.

A obra visa criar uma matrix de rumores e desafia as pessoas a encontrarem a conexão que existe entre o fato (a porta fechada) e a razão disso (a desculpa). Com base no princípio filosófico da razão suficiente de Leibniz, no qual tudo deve obrigatoriamente acontecer por uma razão, somos envolvidos pelo mistério que há entre uma notícia mundial qualquer e a porta fechada. Os visitantes que leem a explicação na porta tentam preencher o espaço entre a razão e o fato: qual a conexão entre a mudança do horário de verão e a porta fechada? Será que a equipe de apoio que deveria estar aqui para abrir a porta ficou confusa com a mudança e se atrasou? O que há atrás da porta afinal?

Florence Jung cria situações que se infiltram na realidade, onde ninguém pode distinguir o que é real do que é encenação. Ela diz que tudo é verdadeiro, mas nada prova isso: a artista limpa seus próprios rastros, transforma suas peças em rumores e rumores em obras. O que resta é um estado de dúvida, a persistente incerteza sobre o que nos cerca.

Florence Jung nasceu no Leste da França em 1988 e vive em Bienna, Suíça.