Bienal prorrogada no Memorial de Curitiba

Nos siga nas redes sociais

“Porque o mundo nunca deve perder seus afetos”, tem curadoria de Dannys Montes de Oca e Royce Smith e aborda as nossas antípodas (razão-emoção, local-global, etc), procurando entre seus interstícios o advento de “tempos interessantes”, capazes de manter as melhores reservas da condição humana.

 

 

MEMORIAL DE CURITIBA 

 

Jeremy Hatch

 

 

Jeremy Hatch emprega uma grande variedade de técnicas e conceitos ligados à cerâmica em seus trabalhos e você pode descobrir mais sobre suas criações no site: http://www.jeremyhatch.ca/read-me/

 

 

 

Christina Z. Anderson

 

O trabalho de Christina Z. Anderson é centrado na imagem instantânea da família, na identidade de gênero, na paisagem alterada e nas imagens contemporâneas impressas em diversos processos fotográficos do século XIX, principalmente bicromato de goma e caseína, papel salgado e mordançage.

 

“Diet Coke”, 2008. Impressões/Bicromato de goma tricolor. 30x25cm.

Christina Z. Anderson. A Red Bull and a Smoke, Baskin Robbins, Diet Coke, Ketchup, M&Ms, Pabst, Red Cup, Snow Beer, Wendy’s. ImpressõesBicromato de goma tricolor 25×30 cm – 9 unidades. 2008

 

 

 

Ed Pien

O artista taiwanês, que reside no Canadá desde os 11 anos, Ed Pien também faz parte da #BienaldeCuritiba17. Histórias, experiências e contextos são os principais temas que o artista explora em seu trabalho manifestado através da água, dos traumas e do tempo.

 

 

 

“A água em primeiro lugar” Para realizar este trabalho pesquisou mitologias e folclore referentes à água, com relatos de anciãos de várias culturas. A partir dessas narrativas, percebeu uma história hibridizada e concentrou-se nas semelhanças e diferenças entre povos, suas histórias e sua cultura para criar a instalação em que explora o simbólico, mitológico e político sobre a Água.

Ed Pien enxerga a Água como entidade e sua importância para o meio ambiente. Em sua instalação é possível caminhar por um livro que em que cada corda é uma frase e cada espaço em branco é uma pausa entre as palavras. Sob curadoria de Royce Smith e Dannys Montes de Oca, sua instalação refere-se a desconstrução do texto de Merrell-Ann S. Phare, Denying the Source: The Crisis of First Nations Water Rights (Negando a Fonte: A Crise dos Direitos da Água das Primeiras Nações), bem como as questões políticas, sociais e econômicas que informam discussões sobre água limpa e sua acessibilidade. A obra de Pien caracteriza as noções Bourriaud: “materializing [informational] trajectories rather than destinations.” (materializando trajetórias [informativas] em vez de destinos).

 

Daniela Busarello

 

Criar um idioma próprio no desenho e na fotografia, a partir de atividades que são parte de suas experiências diárias, é o objetivo do trabalho de Daniela Busarello. A artista e arquiteta ítalo-brasileira, em sua série sobre demolição, traz para o Memorial da Curitiba a beleza do tempo decorrido, que revela as cicatrizes e diferentes peles de um exemplar arquitetônico.

 

“cosmographie raw P.S.3”, 2015. iPhone. 100x80cm.

 

 

Enrique Chagoya

 

Usando idiomas e símbolos em seus desenhos, gravuras e litografias Enrique Chagoya se mostra como um mestre da alternância (code-switch ). Seu trabalhos evocam um universo que nos é estranho e familiar ao mesmo tempo. O artista se apropria de frases e imagens da história e da cultura popular para criar novas combinações. “Os personagens de desenhos animados abrem caminho através de paisagens povoadas por esqueletos, soldados armados e maremotos; e, no entanto, a parte mais perigosa de cada composição não é uma ameaça corporal, mas o campo minado da desordem cultural.”

 

 

Enrique Chagoya – Crédito: Claiton Biaggi

“Escape from Fantasylandia: An Illegal Alien’s Survival Guide”, 2011. Litografia colorida. 24x203cm.

 

Eron Zeni

O trabalho de Eron Zeni busca tensões entre retrato, a paisagem e mudanças socioculturais. Esta fotografia pertence à uma série que registra o cotidiano de famílias de refugiados em Uganda.

 

 

Eron Zeni.  “Há mundo fora daqui?” “Is there any world beyond here”.  Imagemcapturada com equipamento DSLR utilizandolente Tilt Shift 45mm.. 100 x 150cm 2015

 

Germán Tagle

Germán é um artista chileno que traz para a #BienaldeCuritiba17, sob curadoria de Royce Smith e Dannys Montes de Oca, obras em que o relacionamento do artista com a tela é revigorado. Através da pintura sobre uma base pré-impressa, Tagle revela histórias e dicotomias ao referenciar história, fronteira, criatividade e globalismo.

 

Título: “Píntame una casa en todas partes”. Técnica: Acrílico sobre tapiz. Dimensões: 121 x 181 cm. Ano: 2017.

 

Título: “La Ilusión de un Lugar”.Técnica: acrílico sobre tapices. Dimensões: 181 x 254 cm Ano: 2017.

 

Saiba mais sobre o artista: Site: http://germantagle.com Instagram: @germantagle

 

Glenda Salazar

A artista cubana Glenda Salazar apresenta 60 impressões criadas com as “tintas” de várias plantas da ilha – cada uma pressionada contra o papel para que a sua croma suculenta permaneça. Salazar vê isso como um processo de libertação – permitindo que plantas queridas e ervas daninhas nocivas “deixem” seu país e circulem em outro lugar. Seu trabalho cria paralisações dolorosas entre a natureza, a liberdade de movimento e a incerteza geopolítica. Visite as obras da artista no Memorial de Curitiba de 9h às 12h e 13h às 18h (3ª a 6ª feira) e 9h às 15h (sábado, domingo e feriado).

 

Título: Reliquary Dimensões: 40 x30cm Técnica: Tinta natural de plantas sobre papel artesanal Ano: 2008 – 2017 60 peças selecionadas de 300. Trabalho em progresso

 

 

 

Javier Vanegas

O artista colombiano, Javier Vanegas,questiona o poder da memória a partir de registros de lápides e túmulos. Sua jornada teve início com os retratos presentes em túmulos do Cemitério Central de Bogotá, mas inclui cemitérios em torno do mundo. Esses retratos avançados demonstram que a dor, a lembrança e a demonstração demoníaca são fenômenos de expressão globais nos ciclos da vida e da morte.

 

Título: Série “Ecos” Ano: 2007-2017. Técnica: Impressão digital sobre acrílico. Dimensões: 12 fotografias de 40x30cm cada.

 

 

Khaled Hafez

Em suas pinturas, o artista egípcio Khaled Hafez explora a reprodução contínua das dicotomias existentes na cultura popular com as tradições de seu país, criando ideias de similaridade e diferença cultural, bem como a exploração afetiva e das identidades. Suas práticas artísticas abrangem a instalação, fotografia, vídeo e filme experimental.

 

Khaled Hafez. Mirror Sonata in SixMovements`. video (loop) 1’30”. 2014

 

 

Khaled Hafez. Houston Runners. Técnica mixta sobre tela. 490 x 200 cm cada (díptico). 2014

 

 

Miles Neidinger

A obra “Pulsing, Sprawling, Collapsed, Expansion” de Miles Neidinger, artista norte-americano,  exposta no Memorial de Curitiba, levou quase dois anos para ser concluída. São desenhos que se assemelham aos mapas feitos à mão, com formas literais e imaginadas, em que o artista modela abstração como a base composicional para a coesão. É por isso o título sugere um processo perceptual que continua apesar da conclusão do trabalho.

 

Título: “Pulsing, Sprawling, Collapsed, Expansion” Ano: 2016-2017. Técnica / material: Tinta colorida sobre papel. Dimensões: 107x224cm.

 

Pedro Tyler

Utilizar os sistemas de medição para representar a noção ocidental de pensamento racional é o objetivo do artista uruguaio Pedro Tyler, que começou a incorporar e manipular as réguas para o seu trabalho a partir de 2000. Ao criar estruturas e objetos a partir de materiais variados, como madeira, metal e plástico, Tyler questiona a segurança que obtemos através da medição e precisão.

 

 

 

“Bloom II”, 2012-2015. Réguas de madeira. 190x350x50cm.

 

 

Ale Mazarollo

Posição/sobreposição, simetria/assimetria e padrões geométricos são temáticas recorrentes no trabalho do artista Ale Mazarollo. Suas instalações, ora monocromáticas, ora multicoloridas, propõem ao espectador uma ressignificação dos espaços.

 

Crédito: Claiton Biaggi

Volt(a) #6, 2015. Instalação. Luzes neon. 76x76cm.

 

 

 

Theo Lipfert

 

 

 

Ian Van Coller

Ian Van Coller.Forget Me Not Glacier. Archivo de impresión de pigmento y lápizsobrepapel (fotografia).102 x 76 cm.2017

 

 

Nestor Siré

Nestor Siré. “Three and One Flags”. 2015-2017 Video instalación interactiva.

 

 

Nestor Siré. “Three and One Flags”. 2015-2017.Video instalación interactiva.

 

Enrique Miralles

Enrique Miralles. Sem título. Gravura. 56 x 100. 2017

 

Enrique Miralles .Sem título. Gravura. 56 x 100. 2017

 

 

Omar Estrada

 

Omar Estrada. Emboscada (working title). Interactive Variable (a room with a projection area above). 2017

 

 

Bill Burns

 

Bill Burns questiona o que é arte, porque os artistas criam arte e onde fazem seu trabalho. Em sua obra, apresenta seu mundo no Mundo da Arte, um mundo que faz parte da economia.

 

 

 

Power 100 in Georgian Chant sound work, 6 minutes, 2016/2017, voices Alan Gasser and Emma Whitla, arrangement by Alan Gasser commissioned by Bill Burns

 

 

 

Elvo Benito Damo

 

Elvo Benito Damo
FOGO I, II e III
madeira, pintura, fogo
(118 x 75 x 11 cm) (118 x 75 x 8 cm) (118 x 75 x 8,5 cm)
2017

 

Reiner Nande

Reinier Nande
Apuntalando la memoria I e II
2016
Impresión fotográfica
110 x 180 cm

Reinier Nande
Apuntalando la memoria I e II
2016
Impresión fotográfica
110 x 180 cm

 

Javier Calvo Sandí

 

Javier Calvo. Nuevo Mundo. 2016;. Performance. video HP, Color, 37’15

 

 

“Porque o mundo nunca deve perder seus afetos”

“Vivemos tempos interessantes”.

Diversamente atribuída a filósofos chineses e políticos britânicos dos fins do século XIX, essa frase enigmática abraça turbulência e tensão – em oposição à tranquilidade – como as verdadeiras bases da identidade e da produção de sentido. Em 2017, tendo em vista que a sensibilidade nacionalista continua a desafiar a viabilidade da globalização e a necessidade de diálogos interculturais, nossos “tempos interessantes” são caracterizados por uma exposição/questionamento de disparidades econômicas e corrupção de longa data, um abarcamento dos binários “Eu” vs. “Outro” que reacenderam as chamas da misoginia, homofobia, racismo e classicismo, além de uma cultura social voltada a si e uma isolacionismo que promete o retorno às serenas paisagens geopolíticas que não (e nunca) existiram. Gauguin deu a uma de suas pinturas o interrogativo título De onde viemos? O que somos? Para onde vamos? (1897-1898), perguntas que permanecem sem respostas enquanto nossas curiosidades sobre o mundo são muitas vezes rotuladas como antipatrióticas ou até mesmo terroristas.

 

Ironicamente, considerando as tantas tecnologias que surgem para melhor conectar nosso mundo tanto fisicamente quanto virtualmente, estas perguntas vêm acompanhadas por uma crescente lista de desincentivos politicamente motivados. Frequentemente somos encorajados a temer um mundo decididamente dinâmico, diverso e imperfeito, em vez de nos envolvermos, questioná-lo ou descobrir por conta própria os fios que ligam (ainda que precariamente) nossas histórias coletivas, paixões e futuros. Fomos instruídos a aceitar como verdades as distorcidas interpretações de cultura que materializam camadas sobre camadas de intolerância. Contudo, onde, nestes tempos interessantes, podemos encontrar calor e amor? Poderá o estabelecimento consciente dos nossos antípodas – razão e emoção, nativo e estrangeiro, local e global – nos ajudar a melhor navegar os interstícios subsequentes nos quais experiência e cotidiano se misturam? Poderá nossa insistência em que o mundo não perca seu calor servir como um gesto que redefina nosso pensamento sobre individualidade e suas contribuições necessárias para um mundo cada vez mais complicado?

 

Acreditamos que o calor e afeição do nosso mundo deve inspirar pontos múltiplos de interconexão – uma condição que nos leva além da existência das “antípodas”, polaridades ou oposições. Ao se afastar de tensões tão antagonistas entre lugares e estados do ser, esperamos que esta mostra destaque nuances, sobreposições, transversalidades e interseções da arte com a vida cotidiana. Esperamos que a celebração das práticas artísticas que transcendem barreiras, culturas, costumes e mídia possam nos dar novas ferramentas e vias para considerar o contemporâneo e o sublime.

 

Dannys Montes de Oca & Royce W. Smith
Curadores

 

 

SERVIÇO


Memorial de Curitiba

(R. Claudino dos Santos, 79 – Setor Histórico). De terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h. Sábado e domingo, das 9h às 15h.