Prorrogada a Bienal no Museu Paranaense

Nos siga nas redes sociais

“Porque o mundo nunca deve perder seus afetos”

“Porque o mundo nunca deve perder seus afetos”, tem curadoria de Dannys Montes de Oca e Royce Smith e aborda as nossas antípodas (razão-emoção, local-global, etc), procurando entre seus interstícios o advento de “tempos interessantes”, capazes de manter as melhores reservas da condição humana.

 

MUSEU PARANAENSE

 

Você já visitou as obras da Bienal de Curitiba expostas no Museu Paranaense? O espaço recebe “Porque o mundo nunca deve perder o seu afeto”, com curadoria de Royce W. Smith e Dannys Montes de Oca, e reúne o trabalho 12 artistas de diferentes nacionalidades.

Na exposição, obras dos artistas Maria Luiza de Almeida Scheleder, Jaune Quick-to-See Smith, Ben Pease, John Isaiah Pepion, Julia Isídrez, Samuel Miller, Jeannie Mills Pwerl, Dan Tague, Barney Ellaga, Yilpi e Damien Marks e Gonzalo Garcia.

 

 

Maria Luiza de Almeida Scheleder

 

O trabalho de Maria Luiza de Almeida Scheleder medita as influências e transformações que afetam nossas percepções e memórias de espaço e lugar. Em seu trabalho para o Museu Paranaense, sob curadoria de Royce Smith e Dannys Montes de Oca, Scheleder incorpora as relações de afeto que possui com o local, já que este faz parte de sua vida. Após uma visita solitária e demorada ao Museu, a artista reproduziu, com pedaços de papel cortados, mas interconectados, cenas de uma narrativa em que une lembranças pessoais, do espaço e da cidade.

 

 

Título: “O Museu e eu e sua fala para mim”, Ano: 2017. Técnica: Recortes em papel negro com tesoura. Dimensões: 48×61 cm.

 

Dan Tangue

 

 

Dan Tangue é bem conhecido por sua série fotográfica de comentários políticos, contados através de papelaria dobrada. Nessas obras transforma esculturalmente seu simbolismo e cria novas frases que refletem um mundo cada vez mais influenciado pela migração, hibridização e globalização. O artista aborda os problemas cotidianos, representando equivalentes visuais, em instalações, fotografia e ativismo artístico.

 

 

 

 

Gonzalo García

 

Gonzalo García é um jovem promissor artista colombiano. Na Bienal de Curitiba, sob curadoria de Dannys Montes de Oca e Royce Smith, trouxe para o Museu Paranaese uma série de animações em relógios. “Perpetual waking” é uma de suas obras. As outras você pode conferir pessoalmente!

 

Créfdito: Claiton Biaggi

 

@buildingemptiness – título: Perpetualwaking técnica: Técnica mista dimensão: 16 x 20 x 5 ano: 2017 #BienaldeCuritiba17 #MuseuParanaese”

Saiba mais sobre o artista: http://bienaldecuritiba.com.br/2017/artista/gonzalo-garcia http://gonzalogarcia.co

 

 

Jaune Quick-to-See

 

Os trabalhos da artista enfrentam as desigualdades e incompatibilidades das culturas nativas e não-indígenas com uma série de imagens tiradas de suas respectivas histórias, debates políticos atuais e práticas artísticas. As culturas indígenas conhecem gotejamentos de Jackson Pollock e pinceladas de cores caleidoscópicas – um cenário frenético para a apresentação de realidades e estereótipos de Smith.

 

Título: “Trade Canoe: A Western Fantasy”. Técnica: Litografia colorida. Dimensões: 53x76cm.

 

Jeannie Mills Pwerl

 

Jeannie Mills Pwerl, artista de Alywarr, região utópica do deserto central da Austrália, tem estilo único e seu trabalho foi exposto diversas galerias de seu país. Suas pinturas de representam predominantemente a flor e as sementes do Anaty, uma espécie de inhame do deserto ou arbusto de batata. Sua arte é inspiração para próxima geração de artistas aborígenes, mantendo vivas a cultura e a tradição de seu povo.

 

Jeannie Mills Pwerl
Anaty (DesertYam)
Acrilico sobre lino
2014
80 x 125 cm

 

 

John Isaiah Pepion

Assim como Ben Pease e Jaune Quick-To-See-Smith, o artista nativo americano John Isaiah Pepion participa da Bienal’17 apresentando a arte indígena dos artistas contemporâneos dos Estados Unidos. Em seus trabalhos expostos na cidade o artista nos apresenta a Nação Piikani e de Montana.

 

“Piikani Way of Life”, 2016. Lápis de cor e tinta em papel de livro antigo.

 

Barney Ellaga

Com a introdução da tinta acrílica, a arte aborígene, através pinturas, passou a registrar e transgredir os símbolos de representação de rituais e cerimônias. Barney Ellaga, falecido em 2015, dominou este meio de expressão. O artista fazia parte da comunidade de Alawa, localizada na região norte, e seu trabalho representava um íntimo conhecimento da tradição. Suas pinturas expressavam isso a parti de cores vivas para enaltecer suas raízes. Barney Ellaga, é um dos artistas que representa a Arte Aborígene australiana na Bienal’17.

 

Barney Ellaga
Sugarbag
Acrilico sobre lino
80 x 50 cm
2013

“Sugarbag”, 2013. Acrílico sobre lino. 50x80cm.

 

 

Ben Pease

 

Artistas indígenas contemporâneos enfrentam questões como apropriação cultural, exortação, racismo e estereótipos disfarçados de apreciação e esquecimento. O trabalho do artista americano, de origem Crow/Northern Cheyenne – Sudeste de Montana, Ben Pease, continuamente e respeitosamente, pergunta como e por quê? Para o artista, “muitas vezes, a questão é mais importante do que a resposta.

 

 

O que realmente importa, é o caminho”. Abandono e assimilação aparecem com frequência nas obras de Pease enquanto busca a “união” entre histórias ancestrais e culturas contemporâneas, já que vê a arte como “uma relação física e espiritual interpessoal … conectada a todas as entidades, seres, organismos e características geológicas circundantes”.

 

 

Uma curiosidade: “Bull Chief”, retratado na obra, é, segundo o artista, seu o tataravô “Bull Chief- Color Is the Medicine”. Tinta acrílica, impressão de pintura digital sobre Baryta Photographic Rag, em 1907 Silver Bow County, Papel de linho em tela. (2017) 122x122cm. #BienaldeCuritiba #MON #BenPease Ben Pease. EUA, 1989

Ben Pease define seu estilo como contemporâneo tradicional, urilizando instalação e pintura de mídia mista usando colagem, fotografia e mídia digital. Em 2017 foi eleito um dos 31 artistas expoentes de pela Southwest Art’.

Mais sobre o artista em seu site http://www.benpeasevisions.com

Veja detalhes da obra aqui 

 

Julia Izidres

 

Julia Isídrez nasceu em 1967, em Irá-Paraguai. É uma artista autodidata, de origem guarani, e traz a tradição e a ancestralidade da arte da cerâmica. Isídrez é uma das artistas da #Bienaldecuritiba17, sob curadoria de Royce Smith e Dannys Montes de Oca. As obras de cerâmica exibidas por Julia Isídrez são peças a lenha refletindo locais Interpretações paraguaias de narrativas cristãs tradicionais, bem como mitológicas narrativas específicas da cultura paraguaia. Criando figuras humanas e biomorphic formas que se ligam a antigas tendências expressivas nas Américas, Isidrez usa seus trabalhos para explorar as dimensões místicas do nosso tempo.

 

Crédito: Claiton Biaggi

 

Samuel Miller

 

Yilpi e Damien Mark

 

 

 

“Porque o mundo nunca deve perder seus afetos”

“Vivemos tempos interessantes”.

Diversamente atribuída a filósofos chineses e políticos britânicos dos fins do século XIX, essa frase enigmática abraça turbulência e tensão – em oposição à tranquilidade – como as verdadeiras bases da identidade e da produção de sentido. Em 2017, tendo em vista que a sensibilidade nacionalista continua a desafiar a viabilidade da globalização e a necessidade de diálogos interculturais, nossos “tempos interessantes” são caracterizados por uma exposição/questionamento de disparidades econômicas e corrupção de longa data, um abarcamento dos binários “Eu” vs. “Outro” que reacenderam as chamas da misoginia, homofobia, racismo e classicismo, além de uma cultura social voltada a si e uma isolacionismo que promete o retorno às serenas paisagens geopolíticas que não (e nunca) existiram. Gauguin deu a uma de suas pinturas o interrogativo título De onde viemos? O que somos? Para onde vamos? (1897-1898), perguntas que permanecem sem respostas enquanto nossas curiosidades sobre o mundo são muitas vezes rotuladas como antipatrióticas ou até mesmo terroristas.

Ironicamente, considerando as tantas tecnologias que surgem para melhor conectar nosso mundo tanto fisicamente quanto virtualmente, estas perguntas vêm acompanhadas por uma crescente lista de desincentivos politicamente motivados. Frequentemente somos encorajados a temer um mundo decididamente dinâmico, diverso e imperfeito, em vez de nos envolvermos, questioná-lo ou descobrir por conta própria os fios que ligam (ainda que precariamente) nossas histórias coletivas, paixões e futuros. Fomos instruídos a aceitar como verdades as distorcidas interpretações de cultura que materializam camadas sobre camadas de intolerância. Contudo, onde, nestes tempos interessantes, podemos encontrar calor e amor? Poderá o estabelecimento consciente dos nossos antípodas – razão e emoção, nativo e estrangeiro, local e global – nos ajudar a melhor navegar os interstícios subsequentes nos quais experiência e cotidiano se misturam? Poderá nossa insistência em que o mundo não perca seu calor servir como um gesto que redefina nosso pensamento sobre individualidade e suas contribuições necessárias para um mundo cada vez mais complicado?

Acreditamos que o calor e afeição do nosso mundo deve inspirar pontos múltiplos de interconexão – uma condição que nos leva além da existência das “antípodas”, polaridades ou oposições. Ao se afastar de tensões tão antagonistas entre lugares e estados do ser, esperamos que esta mostra destaque nuances, sobreposições, transversalidades e interseções da arte com a vida cotidiana. Esperamos que a celebração das práticas artísticas que transcendem barreiras, culturas, costumes e mídia possam nos dar novas ferramentas e vias para considerar o contemporâneo e o sublime.

Dannys Montes de Oca & Royce W. Smith
Curadores

 

 

 

Museu Paranaense

(R. Kellers, 289, Alto São Francisco). De terça a sexta-feira, das 9h às 18h. Sábado e domingo, das 10h às 16h Entrada franca

Site: https://goo.gl/gMBJ8g