Última semana da Bienal no Museu Oscar Niemeyer

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 Museu Oscar Niemeyer

 

Você tem mais uma semana para visitar a Bienal de Curitiba ‘17 no MON!  Até domingo, dia 04/03,  a visitação estará aberta na sala 9,  que recebe as mostras “Dualidades Humanas”, “Tiluk e a obra de Guadalupe Miles” e “Opera Hominium”.

 

Opera Hominium

José Rufino vê beleza na desgraça, na ferrugem e na ruína. Em uma conversa com Leonor Amarante, apresenta Opera Hominum, sua exposição para a Bienal de Curitiba ‘17, instalada no Museu Oscar Niemeyer. Sob curadoria de Leonor Amarante, a exposição “Opera Hominum”, exposta no MON não é um acelerador de emoções, mas o processo vivo de interação entre a história coletiva dos trabalhadores de uma usina de açúcar e álcool e a experiência pessoal do artista José Rufino.

A instalação pode ser uma ode aos empregados que passaram parte de suas vidas como empregados da Usina Santa Terezinha, localizada em plena zona da mata pernambucana, no município de Água Preta. Composta por 21 painéis arqueológicos destaca as mãos de 20 operários e uma única mulher, funcionária da administração. E a subjetividade dessa obra se dá no campo de fronteira com a transposição artística de uma experiência social. Ao serem desprivatizados, esses documentos rompem os limites entre o público e o privado e aderem ao ocultamento linguístico dadaísta por meio de uma realidade histórica, não reduzida à mera crônica.

 

_ Título: “Opera hominum” Ano: 2015-2017. Técnica: Monotipias (têmpera) sobre folhas de pagamento. Dimensões: 38,7 X 80cm (individual), 137 x 621 cm (políptico).

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Local: MON – sala 9

Resumo: Obra do artista José Rufino. A instalação é composta por 21 painéis que exibem monotipias das mãos de trabalhadores de uma usina – 20 operários e uma única mulher, funcionária da administração – impressas sobre recibos de pagamento coletivo.

Curadoria de Leonor Amarante.

 

 

 

 

Tiluk e a obra de Guadalupe Miles

“A fotógrafa argentina Guadalupe Miles participa da #BienaldeCuritiba17 sob curadoria Tulio de Sagastizábal. Na mostra “Tiluk e a Obra de Guadalupe Miles”, presente no Museu Oscar Niemeyer, os visitantes encontram fotos, textos, objetos e sons da Comunidade Wichi, localizada em Santa Victoria Este, no Chaco de Salta – Argentina. A mostra apresenta um resumo de mais de 20 anos de pesquisa da Cultura Wichi. Tal proximidade com a comunidade, e com seu líder, Tiluk, trouxe o acolhimento, a ponto de Miles ter sua própria casa no local, o que marca sua presença e seu pertencimento.

Texto do curador

Guadalupe Miles apresenta nesta edição da Bienal de Curitiba 2017 uma obra que resume mais de 20 anos de trabalho e experiências na comunidade de Santa Victoria Este, no Chaco de Salta, às margens do Rio Pilcomayo. O ponto central do já longo contato de Guadalupe Miles com comunidade Wichi foi construído em torno da amizade e afeto estabelecidos com aquele que foi, até muito pouco tempo atrás, xamã e líder desta comunidade: Tiluk. “Dedico minha mostra à Tiluk por me ensinar a ver. Meu olhar muda a partir de minha experiência com ele e com eles. Foi uma mudança de percepção e de consciência”.

Tiluk tem muita presença nesta mostra, acompanhando-a através de imagens e palavras, pois ele, que possuía o poder da “visão” e o dom de curar, contava histórias dos princípios do mundo e de Tokjuaj, e encorajou Guadalupe a seguir a aventura de buscar um olhar diferente
Já comentamos o quanto nos surpreendia como Guadalupe nos deixava ver sua empatia com um modo de estar em um mundo que nos é remoto e invejável através de suas imagens. E, também, que as imagens de Guadalupe parecessem estar a cada passo pronunciando o prazer de ser acolhida pela gigantesca hospitalidade oferecida.

Tulio de Sagastizabal
Curador

 

 

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Local: MON – sala 9
Resumo: É exposto o longo trabalho de pesquisa fotográfica de Guadalupe Miles sobre vários momentos da comunidade Wichi, localizada em Santa Victoria Este, no Chaco de Salta.

Curadoria de  Tulio de Sagastizabal.

 

Dualidades humanas

A Bienal de Curitiba traz à baila aquilo que inerente aos humanos e a tudo o que os toca… o universo das antíteses. É inegável a dualidade latente no conhecido e no desconhecido, desde o corpo e a alma, pares perfeitos fundidos na construção da vida, ainda na abrangência do cosmos entre luz e escuridão. Os artistas provocarão em suas performances justamente o equilíbrio dinâmico entre ideias e energias. Conforme o curador Brugnera “os representantes das dualidades pertinentes ao tema sugerido organizam os conceitos: dentro e fora, Terra e Marte, guerra e paz, vida e morte, humano e animal, aproximação e distanciamento, negro e blanco, aparecer e desaparecer… isso somado as manifestações dos que as realizam, nos trazem uma atmosfera de inquietude. A individualidade mistura-se ao coletivo e empresta sua questão particular com o propósito de construir uma coleção de opiniões que a nós é permitido divergir e criar sagas…”

Em cada obra percebe-se a peculiaridade e unicidade de interpretações da temática proposta, essa singularidade é expressa nas palavras de cada artista: “Criamos cascas invisíveis que usamos como barreira limítrofe entre o nós e o outro. Reagimos com a transfiguração da imagem interna quando extrapola-se esses limites…” Katia e Jorge Kimieck (Limítrofe). Sob o mesmo sentindo, Franzoi (O que se faz presente), declara: “A performance lida com questões do comportamento, corpo, espaço, memória, as fronteiras e os limítrofes que se fundem na oposição entre a consciência visível e invisível, vida e morte, antagonismos, marcas desta poética que propõe novas possibilidades para o olhar e a percepção corporal. Máquina de gravação, usina de inquietações sobre a existência, o outro, a angústia de viver e quanto o corpo suporta dentro do espaço e tempo a que é submetido…”. A artista Silvana Camilotti (Suporte), ilustra a antítese na seguinte colocação:“O dentro e o fora,o conter e o estar contido, no corpo que suporta e é o suporte,que com a ação do tempo se desgasta,contamina,corrói, criando marcas e cicatrizes na pele e na memória…”.

Ainda no Coletivo Duas Marias (Mulher de Marte) as artistas elucidam que: “Mulher de Marte é a personificação da Alma Mater – O Ser Feminino. Ela é a essência do poder criador desses dois mundos: Planeta Vermelho e Planeta Terra. Ela é o núcleo, o fogo, a terra vermelha, o sangue,a carne e o próprio pulsar; é o útero, luz que os nutre, os transforma e a qual os mantém vivos!”. Von Joseph (Fronteiras), comenta sobre sua obra: “ Na busca constante entre as nações quese configuram uma sobre outras mostrando sua superioridade de comando e poder; a arte observa e questiona estes opostos costurando e traçando seus próprios desafios,em uma constante guerra na busca da paz…”. Alfi Vivern (Cromossomos) diz… “Porque não nos aceitamos cromossomos?”.

Walterio (Mandala), diz que: “Lo que quedó de los desaparecidos aquel día, fue una montaña de zapatos.”
Rosângela de Andrade (Antípodas)traz no nome da obra essa relação entre pertencer e estar em locais contrários, conforme sua ideia: “China e Brasil,dois antípodas geográficos. O humano e o animal, o humano e a planta, também são polos opostos de um mundo em comum,são radicalmente distantes,mas de um mundo igual. No caminho para as antípodas há muitas fronteiras a superar: culturais, estéticas e psíquicas…”

É preciso dizer que os artistas estão extremamente integrados à temática, cada obra representará as antíteses e as antípodas de uma maneira excepcional, que estimulará o olhar de cada observador.
Texto por Cíntia Abreu

 

 

Von Joseph

 

“Fronteira”, 1980/2010. Instalação (costura). 10m². Detalhe.

 

Local: MON – sala 9
Resumo: A exposição mostra as dicotomias da vida e

Curadoria de  Brugnera.

 

Alfi Vivern

 

“Cromossomos”, 2017. Mármore bianco venato, mármore negro belga e folhas de ouro. 23x14cm (fechado), 30x14cm (aberto)

 

 

Coletivo Duas Marias

 

A mostra “Mulher de Marte”, do Coletivo Duas Marias, faz parte da #BienaldeCuritiba17, e é apresentada no Museu Oscar Niemeyer, na exposição Dualidades Humanas, sob curadoria de Brugnera. As artistas Malu Rebelato e Nani Nogara “exploram os limites da máscara e da moldura feminina… elas transmutam a estrutura do tempo e do espaço.”

“Mulher de Marte”, 2016. Fotografias (3). 130 x 195 cm cada.

Confira a entrevista realizada pela Revista Aldeia aqui 

 

 

Coletivo Kimieck

 

“Limítrofe”, 2017. Instalação (fotografia em suporte digital com intervenções eletrônicas). 50x40cm.

 

Franzoi

Em duas ocasiões o Museu Oscar Niemeyer recebu a performance do artista Franzoi. Em “O que se faz presente”, o artista lida com questões do comportamento contemporâneo. Corpo, espaço, memória, as fronteiras entre consciência e inconsciência, visível e invisível, vida e morte.

“O que se faz presente”, 2017. Performance/objeto (caixa de vidro transparente 50 x 55 x 180 cm, 200 kg de pó de talco industrial). Foto: Sérgio Adriano H

 

Franzoi é artista visual, ator, curador, diretor teatral, performer e professor. Na educação disciplinas de estética, história da arte, performance, produção cultural, semiótica e teatro. Realizou 61 curadorias individuais e coletivas entre 2006 e 2017, destaque como curador do “Mapeamento Rumos Artes Visuais Itaú Cultural 2011/2013”. Foi artista selecionado do projeto “Rumos Artes Visuais Itaú Cultural 1999 a 2000”.

 

Rosângela de Andrade Boss

A artista suíço-brasileira Rosângela de Andrade Boss apresenta seus desenhos com nanquim e colagens na exposição “Dualidades humanas”, sob curadoria de Brugnera, no Museu Oscar Niemeyer “Rosângela de Andrade (Antípodas) traz no nome da obra essa relação entre pertencer e estar em locais contrários, conforme sua ideia: “China e Brasil,dois antípodas geográficos.

O humano e o animal, o humano e a planta, também são polos opostos de um mundo em comum,são radicalmente distantes,mas de um mundo igual. No caminho para as antípodas há muitas fronteiras a superar: culturais, estéticas e psíquicas…” (Dualidades humanas: Curadoria de Brugnera. Texto de Cíntia Abreu)

 

 

 

 

Título: “Antípodas”. Ano: 2017. Técnica: Instalação de parede (desenho com lápis de cor Caran d’Ache, nanquim e fotografia). Dimensões: 270×350 cm.

 

 

Silvana Camilotti

artista Silvana Camilotti (Suporte), ilustra a antítese na seguinte colocação:“O dentro e o fora,o conter e o estar contido, no corpo que suporta e é o suporte,que com a ação do tempo se desgasta,contamina,corrói, criando marcas e cicatrizes na pele e na memória…”.

 

“Suporte”, 2017. Instalação (negativos fotográficos, imagens digitalizadas, cortinas de voal, projetores e áudio). 275 x 500 x 420 cm.

 

Walterio Iraheta

 

“Mandala”, da série “Mis pies son mis alas”. 2007. Instalação de chão (70 sapatos usados). Aproximadamente Ø3m.

 

O curador

Brugnera é um dos curadores da #BienaldeCuritiba e reuniu artistas em diferentes exposições e sedes da Bienal pela cidade: no Museu Oscar Niemeyer, a exposição “Dualidades humanas” com obras de Alfi Vivern, Coletivo Duas Marias, Coletivo Kimieck, Franzoi, Rosângela de Andrade Boss, Silvana Camilotti, Von Joseph e Walterio Iraheta. Já, no Museu Alfredo Andersen, na exposição “Arte e Vida”, Faisal Iskandar, Sergio Adriano H e Vilma Slomp. E, no Hall da SEEC, “O fluxo de Tao”, de Maria Cheung. Brugnera nasceu em Espumoso, no Rio Grande do Sul, em 1966 e atualmente reside no Paraná. Artista plástico autodidata, curador independente, agente cultural, parecerista, participou de salões de arte oficiais nos quais recebeu mais de 40 prêmios individuais, realiza montagem de exposições. Possui obras em acervo de museus nacionais e internacionai, como MON, Museo De Arte Moderno De Buenos Aires (Buenos Aires) e Museu D’ArtModerne de La Ville de Paris (Paris) Mais sobre o curador e artista: https://goo.gl/d7u8ez

 

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Registros: Claiton Biaggi

Via Bienal

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