China

Em nome do Ministério da Cultura da China, gostaria de desejar grande sucesso à apresentação da China como país homenageado na proeminente Bienal Internacional de Curitiba 2017.

Diálogos culturais aproximam corações, aumentam a compreensão mútua e fortalecem os laços de amizade entre nações. Desde o século XVI, quando a cultura chinesa encontrou a brasileira pela primeira vez, apesar dos vastos oceanos que as separam, ambos países conduziram interações culturais, especialmente nos últimos anos, conforme intercâmbio cultural e cooperação enriqueceram-se e se aprimoraram para ajudar a promover uma sólida e abrangente parceria estratégica bilateral. Além disso, o sucesso em 2016 do Ano de Intercâmbio Cultural China-América Latina levou as relações culturais entre China e Brasil a um novo nível.

China e Brasil são países orgulhosos de sua riqueza cultural. Durantes seus 5000 anos de história, a nação chinesa criou uma brilhante e profunda cultura tradicional que é aberta e inclusiva, abraçando nossas buscas intelectuais mais profundas. Isso garante a linhagem, desenvolvimento e crescimento da nação chinesa, e aumenta o esplendor da casa do tesouro das culturais mundiais. A cultura brasileira também possui uma natureza bastante diversa e assimiladora, o que lhe confere um charme único. Particularmente, desde o Modernismo nos anos 1920, o Brasil tem mostrado artistas magistrais de renome, incluindo Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, o “Picasso do concreto”, cujas as construções clássicas incorporam novidade, elegância e sabedoria em seus estilos diferenciados e arrebatadores que desafiam a realidade.

As artes visuais estimulam a comunicação e interação entre arte e sociedade com imagens e experiencias visuais, e a presença das artes visuais é significativa para a herança e o intelecto da humanidade. A Bienal Internacional de Curitiba 2017 apresentará 238 obras, escolhidas pelo Ministério da Cultura da China como representantes da arte contemporânea chinesa, no Museu Oscar Niemeyer, um dos maiores da América Latina. Esta mostra será a primeira do tipo a ser exibida no continente, um marco para o intercâmbio cultural de artes visuais entre China e Brasil. A exposição oferecerá aos visitantes uma experiência refrescante da arte chinesa, inspirada por elementos tradicionais, porém reinventada com uma criatividade explosiva que acompanha as tendências internacionais da arte contemporânea, além de uma oportunidade de sentir o dinamismo chinês e de encontrar ressonância e empatia. Juntas, as obras celebram a imagem de uma China moderna, progressiva, criativa, amigável e voltada para o futuro, refletida por uma grande variedade de expressões, perspectivas e contextos.

As relações culturais entre China e Brasil são promissoras, uma vez que ambos os países possuem culturas ricas, dinâmicas e florescentes. Estamos ansiosos em ver uma maior sinergia entre os dois países em nossos diálogos culturais e colaborações que são abertos, inclusivos, recíprocos e vantajosos, como o defendido pela iniciativa Cinturão e Estrada e o mecanismo de cooperação BRICS. O aumento de nossa compreensão mútua e da amizade entre nossos povos baseados em completo respeito à diversidade cultural, valores compartilhados e entendimento cultural forjará laços mais fortes entre China e Brasil como dois estados membros da comunidade BRICS com interesses e destinos comuns, e sustentarão as bases sociais e públicas para a cooperação China-América Latina.

Luo Shugang, Ministro da Cultura da República Popular da China

 

O intercâmbio cultural sino-brasileiro num novo patamar

A China foi escolhida, pela primeira vez, como País Homenageado para celebrar o 24º aniversário da Bienal Internacional de Curitiba. Trata-se de uma importante oportunidade para a China conhecer o melhor da arte latino-americana e do Brasil em particular, como também uma excelente plataforma para que os amigos brasileiros e de outras nacionalidades possam apreciar de perto a arte contemporânea chinesa.

Mais de sessenta peças produzidas por artistas de toda a China foram meticulosamente escolhidas para esta exposição. Obras como essas apresentam expressões heterogêneas e ideias diversificadas, refletindo de forma plena a criatividade e a continuidade na arte contemporânea chinesa, sua tradição e modernidade, assim como seu caráter ao mesmo tempo étnico e cosmopolita. Além de vitrine da produção chinesa na seara artística, nossa mostra é também o microcosmo de uma China dinâmica e pujante.

O fato de a China ser homenageada na Bienal de Curitiba também ilustra um intercâmbio cultural cada vez mais abrangente e profundo entre os dois países. Nos últimos anos, vejo crescer o interesse e o entusiasmo dos dois povos em se conhecerem e se entenderem. Atividades como o Mês Cultural, a Semana de Cinema, exposições de fotos, shows e mostras de belas artes, assim como os Jogos Olímpicos do Rio 2016 e outros eventos esportivos, contribuíram para a mútua compreensão e a aproximação. Com isso, fortalece-se a base para os intercâmbios culturais bilaterais, criando novos mecanismos e um horizonte mais extenso.

Essa troca é fundamentada na diversificação, na tolerância e na harmonia. A distância geográfica e as diferenças nos campos político, econômico, social e cultural não só conferem um valor especial, como também oferecem uma base sólida para nossa aprendizagem recíproca. Um olhar mais aprofundado do espírito humanístico revela semelhanças entre os dois países. Ao longo de cinco milênios de história, formou-se na China um senso de humanidade centrado na fraternidade e na benevolência, uma ideologia de governança pautada pela ética e pelo equilíbrio, uma aspiração por paz e boa vizinhança, assim como um conceito que valoriza a harmonia das diferenças. Por sua vez, como um caldeirão de etnias, o Brasil abraça todas as culturas de forma eclética, aberta e inclusiva, respeitando a diversidade de bom grado e persistindo nos ideais de independência, igualdade e justiça. Segundo um ditado chinês, “montanhas e mares não são obstáculos para quem compartilha os mesmos ideais”. Os valores humanísticos comuns criam simpatia entre os dois povos e constituem o pano de fundo para nossos intercâmbios culturais.

Essa troca é movida pela florescente cooperação bilateral. Na área econômica e comercial, o comércio movimentou mais de US$ 67 bilhões em 2016, enquanto a China mantém o posto de maior parceiro do Brasil, e este, por sua vez, continua sendo o maior parceiro do país asiático na América Latina. Cada vez mais robusto, o investimento chinês no Brasil já tem um volume acumulado da ordem de US$ 40 bilhões. As constantes movimentações fizeram crescer a demanda por melhorar o conhecimento mútuo e o intercâmbio cultural se presta justamente a esse fim. Um dos exemplos é a crescente procura por cursos de mandarim. Atualmente há 10 Institutos e 4 Salas de Aula Confúcio com mais de 20 mil alunos inscritos, fazendo do Brasil o país com o maior número dessas instituições em funcionamento na América Latina. Várias escolas de ensino fundamental começaram a incluir o idioma chinês no currículo formal. Já na China, mais de 30 universidades oferecem cursos de língua portuguesa, um dos mais procurados pelos jovens chineses. Tudo isso desempenha um papel insubstituível na promoção da amizade entre os dois povos e no impulso do relacionamento entre os dois países.

Essa troca é respaldada pelo forte apoio e pela vigorosa promoção dos dois governos. A amizade entre países nasce na aproximação de seus povos e essa aproximação tem suas raízes nos laços sentimentais. Base para fomentar a harmonia das civilizações e a prosperidade compartilhada, o intercâmbio humano tem como foco a comunicação sentimental, mais duradouro que a concertação política e mais profundo que as trocas comerciais. Tanto o presidente Xi Jinping como o primeiro-ministro Li Keqiang consideram de extrema importância as atividades de intercâmbio cultural. Durante suas visitas à América Latina, anunciaram iniciativas como bolsas de estudos na China, o programa “Ponte para o Futuro” destinado à formação de mil jovens líderes da China e da América Latina e Caribe, assim como a criação de Centro de Imprensa China-América Latina para treinar profissionais de comunicação. Tudo isso oferece orientação e garantia para o fluxo e o aprendizado mútuo.

Temos pela frente uma perspectiva ainda mais promissora. No futuro próximo, devemos ampliar e aprofundar esses intercâmbios em todos os níveis. No tocante aos governos, devemos aproveitar plenamente o papel da Subcomissão Cultural da COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação) para colocar em prática os consensos alcançados pelos líderes e levar adiante o plano de ação sobre o tema e a instalação de centros culturais. Em termos da sociedade civil, precisamos expandir os canais para promover as cooperações em cultura, educação, esportes e turismo, fortalecendo nossa amizade histórica. Vamos desenvolver projetos comerciais e sem fins lucrativos para fomentar a parceria entre indústrias culturais, educação de artes, shows, produção audio-visual, tradução literária e instituições como museus, bibliotecas e de patrimônio cultural. Já os artistas, são bem-vindos a eventos como Feira Internacional da Cultura e Arte da China, as Bienais de Beijing, Shanghai e Curitiba, para aprender com as realizações de destaque das duas culturas, dando novo vigor para sua inovação e progresso.

Acredito que, com os esforços do governo, da sociedade civil e dos artistas, o intercâmbio cultural continuará cumprindo seu papel fundamental para orientar o entendimento e a amizade entre os dois povos através de plataformas como a Bienal de Curitiba. Com isso, será ainda mais consolidada a opinião pública em favor da cooperação bilateral e enriquecido o conteúdo da Parceria Estratégica Global entre as duas nações.

Li Jinzhang, Embaixador da China no Brasil