A vigília de Eliane Prolik

Na primeira semana de exposições da Bienal de Curitiba 2018 | 25 Anos, a obra Seranum, da artista Eliane Prolik foi exibida no vão livre do Museu Oscar Niemeyer. 

A instauração “Seranum” conjuga o plural de suportes de soro e luminárias circulares em justaposição. Objetos ligados e acesos, em funcionamento que instalam uma espécie de vigília, com visões e ativações visuais que atravessam o espaço do museu.  Uma ação aqui relacionada e expressando a urgência da problemática brasileira atual.

Confira o texto curatorial de Adolfo Montejo Navas sobre a obra:

 

Vigília Branca
Seranum (2018) é uma sempre-viva instalação ou instauração. Ainda que sem epifania hipocondríaca, não deixa de haver uma certa situação entre mundos, inquietante. Uma justaposição objetual ready-made intervém semanticamente e, ao mesmo tempo, produz outra justaposição, contrarrelatando um espírito nacional em crise, talvez em coma histórico. Trata-se, portanto, de um trabalho que não esconde seu caráter clínico, metaforicamente falando, pois ele quer perguntar imageticamente: Que país é esse que está doente, que demora em seu eclipse? Que faz de seu estado crítico o seu habitat mais reincidente? Ou de sua necessidade de atendimento urgente, de sua reclamação de cura um leit motiv reincidente? Como numa vigília branca – cromaticamente enfatizada pela claridade e presença da luz feita de suporte de soro metálico e luminária circular –, o humano não está presente, embora esteja onipresente, paradoxalmente, de forma elíptica. Um corpus in absentia. De fato, o reflexo espelhado dessa clareira escultórica (povoada de árvores ou elementos pulsantes), pousada numa superfície polida de vidro, potencializa a sensação rarefeita, estranha, sua entre-imagem especular: a visão real também é irreal. Há uma virtualidade geral dimensionada, construída para um corpo ausente como tal, mas que respira energeticamente (pelas extensões-veias elétricas) e que delata seu abismo visualmente (pelos diferentes ângulos de visão, de baixo para cima, de dentro...). O título, quase com sabor de remédio e tão simbólico por outra parte, reconecta uma etimologia latina que versa sobre duas acepções pertinentes, como alerta a artista: um trabalho noturno continuado ou reunião. Ambas as coisas se direcionam para um trabalho de iluminação, para a luz, para esse branco das luminárias. Encaminham-se para esse branco luar, que reclama toda a nossa atenção noturna, diurna, na emergência.
Adolfo Montejo Navas
Curador

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