Artista e diretora Paz Encina, premiada do Festival de Cannes, integra programação da Bienal de Curitiba 2018 | 25 Anos

Cena do filme "Hamaca Paraguaya", de Paz Encina

Paz Encina trabalha com um cinema memória, e através dele, mostra que a busca por aquilo que já passou pode trazer somente ausência. Suas obras tratam muito de assuntos sobre o saudosismo que se tem em relação ao que o Paraguai, país de origem de Encina, já foi um dia. Em contramão a isso, a cineasta mostra nos filmes que talvez este Paraguai ao qual tanto se espera “voltar” nunca tenha existido da maneira como as pessoas dizem. A artista e diretora expôs este ano no Museu Nacional de Bellas Artes de Assunção, em mostra integrante da programação da Bienal de Curitiba 2018 | 25 Anos. 

O seu longa-metragem que ganhou o prêmio em Cannes, Hamaca Paraguaya (2006), mostra o dia a dia de um casal que espera o retorno de seu filho da Guerra do Chaco. Uma câmera fixa mostra a angústia dos pais que não têm notícias do filho, angústia essa ampliada pelos latidos incessantes do cachorro que, apesar de incomodar, representa a esperança de que seu dono volte da batalha. Esse foi o primeiro longa-metragem de Encina e também o primeiro rodado em 35mm no Paraguai desde os anos setenta.

Nascida em Assunção, Paraguai, Paz Encina tinha como desafio criar produções audiovisuais em um país sem tradição cinematográfica, sem apoio do governo ou empresas privadas que se interessassem pela arte. Apesar de ter uma identidade cultural muito própria quando se trata de música, poema, esculturas em cerâmica, o cinema paraguaio sofreu fortes repressões, principalmente nos mais de 30 anos da ditadura de Stroessner.

Os filmes de Paz Encina ajudaram a colocar o Paraguai no mapa do mundo do cinema, e abriu espaço para a produção de outras obras cinematográficas no país. Ao tentar buscar a memória de um país esquecido, os filmes de Encina mostram ao telespectador a inutilidade de se fazer isso, questionando se o passado tão almejado foi de fato tão bom e se depara, como disse a própria cineasta, com “um passado já terminado e um futuro exatamente igual”. 

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