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conceito curatorial

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conceito curatorial

Fronteiras em aberto

  • - Adolfo Montejo Navas
  • - Tereza de Arruda
Compartilho ou não?

A ideia de fronteira já não pertence só ao território, à geografia política. Há tempos que se expandiu conceitualmente e faz parte de um universo maior de questões mais abrangentes e, sobretudo, mais transversais. Já tem um imaginário plural que toca aspectos de naturezas encontradas. Longe, portanto, da física comensurada, tranquilizadora, de uns limites geográficos que respondem a uma narrativa temática, e mais perto das distorções significativas de índole social, tecnológica, cognitiva, epocal. Ainda mais em nosso tempo cheio de mudanças e transformações de signo diverso (com a concorrência das novas coordenadas espaço-temporais, a globalização, a pós-história, a tecnologização do mundo, a crise ambiental, a procura de novas cosmologias etc.), o que desloca o sentido das antigas semânticas, fixadas unidimensionalmente em um sentido único.

Por um lado, a história contemporânea, a de nossos dias mais recentes, tem não só modificado a noção alfandegária, imóvel, de fronteira, como há desvirtuado algumas antigas, espacialmente, no próprio plano do território. Fruto de conflitos históricos e de diversos tipos, tem-se mudado fronteiras, regiões, países, trocando de signo e realidade a vida de populações inteiras. Nossa época vive um grau de incerteza tal que as noções físicas e simbólicas de local, lugar, fronteira têm sofrido uma grande erosão e transformação, para o bem e para o mal. Agora já sabemos que há fronteiras reais e também invisíveis que se contradizem e estabelecem litígios nada pacíficos. Que a fronteira pode ser várias coisas ao mesmo tempo.

Por outro lado, a arte sempre foi um espaço de fronteira, um hiato entre o reino da linguagem e o da realidade, um estado limiar, de natureza flutuante, não fixa. De fato, quando a arte não foi essa dupla vigília, essa cisão atávica da representação, da linguagem? Essa possibilidade de nomear o habitat desde a linguagem, ainda de religar-se como um novo lugar?

Temos ante nós dois movimentos: a geografia mutante da história e seus correlatos espaciais e a geografia mutante da arte e suas derivas linguísticas, em sintonia e em diferença, em convergência e também em divergência. E neste âmbito se oferecem alguns aspectos contaminantes: o sujeito do século XXI vive uma nova condição de fronteira, com experiências contrapostas, enfrentadas de alteridade e ensimesmamento. De violência, domesticação e xenofobia (a chamada crise de refugiados, ou das novas ondas emigratórias intercontinentais, e a intercomunicação planetária revelam quanto a palavra fronteira está implodida e explodida, e, em consequência, necessitada de novas avaliações e atualizações). Estamos, pois, numa nova situação de refronteiras e desfronteiras, de novos agrupamentos socioespaciais, territoriais, assim como de novas experiências artísticas de arte-fronteira, presença de artistas nômades ou deslocados de sua origem, a contar com a existência de trabalhos em parcerias interculturais, além de ampliar-se cada vez mais o campo das fronteiras entre linguagens e sua interligação.

A 14ª Bienal Internacional de Curitiba pretende incorporar esta instigante condição contemporânea aludida, abrindo mais suas fronteiras expositivas, criando inclusive sedes parciais e convergentes em outros países – janelas para outra plataforma –, religando-se a artistas do mundo inteiro, à produção artística de todos os pontos cardinais do globo, e, nesta edição, dando destaque à produção de países de outra geopolítica emergente como o BRICS, com sua nova órbita intercontinental, assim como de países significativos e simbólicos da Europa, uma cartografia imprescindível e tão estreitamente ligada histórica e culturalmente às Américas, à América Latina, ao Brasil e, concretamente, a Curitiba. Não só o melting pot cultural europeu, sua riqueza e diversidade, teve uma transculturalização inédita no continente americano, uma criação autônoma – antropofagia e mestiçagem inauditas – sempre digna de independência, mas também de religação e dialética de entremundos, como as novas interconexões territoriais-culturais de nossa época globalizada. E a vocação reconhecida dos artistas sempre foi a de revalorizar seu papel de conectores, contribuir para o work in progress que é todo processo de pesquisa artística, imagética para atingir novos estados de consciência da realidade circundante e dos problemas atemporais da condição humana. E, por consequência, contribuir com novos pensamentos na construção e processo de outra história.

A arte, e ainda mais quando cumpre uma função especulativa e simbólica – tradutora e interpretativa – dentro de uma Bienal é uma tarefa reflexivo-social de grande destaque e responsabilidade na sociedade estetizada de hoje, seja como vitrine onde se vinculam a arte e a cultura, seja como local de ação que reflete também o espírito de seu tempo. A Bienal, a arte-fronteira, revela por sua vez o seu próprio olhar das coisas, dos contextos, pois não deixa de ser nunca a arte e suas circunstâncias. E seu sonho quimêrico de fronteiras abertas, melhor dizendo, de fronteiras em aberto, pois sempre é uma cara utopia em andamento, experimental, onde o que se desenha no fundo é a promessa de outra condição humana, o aberto de uma esperança crítica. O devir de outro sensorium, novo contato com o sensível, livre produção do ser. Uma linguagem antídoto contra o fundamentalismo, a visualidade instrumentalizada, que ainda abriga um singular benefício espiritual. Porque enquanto espaço para revelações e análises imagéticas, a arte também funciona como bússola de outro mapa em movimento, em curso, uma cartografia melhor: oferecendo um repertório único de sinais, uma nova sinalética.

projeto educativo

Aqui você pode consultar todos os horários de funcionamento dos espaços da Bienal na cidade de Curitiba com a programação de mediadores do Projeto Educativo. Para mais informações ou agendamento de visitas guiadas para grupos ou escolas, escreva para: educativo@bienaldecuritiba.com.br

Museu Oscar Niemeyer (MON) | terça a domingo das 10h às 18h

Presença de mediadores em sala;

Dias abertos para grupos agendados: todas as quartas e sextas-feiras.

Museu Municipal de Arte (MuMA) | domingo a domingo das 9h às 17h

Presença de mediadores em sala;

Dias abertos para grupos agendados: todas as quartas e sextas-feiras.

Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões | segunda à sexta das 13h30 às 18h

Presença de mediadores em sala e recebimento de grupos agendados.

Teatro Guaíra | quarta à sexta das 14h às 17h, sábados das 10h às 12h

Presença de mediador em sala e recebimento de grupos agendados.