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FRONTEIRAS
EMABERTO

14a
BIENAL INTERNACIONAL
DE ARTE CONTEMPORÂNEA
DE CURITIBA

21.SET.2019 - 23.FEV.2020

Sala de imprensa

Conceito Curatorial da 14a Bienal de Curitiba
Edital Aberto para CUBIC 4
Edições anteriores da Bienal de Curitiba
Tudo sobre o Cine Móvel - projeto do FICBIC
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FRONTEIRAS EM ABERTO

A ideia de fronteira já não pertence só ao território, à geografia política. Há tempos que se expandiu conceitualmente e faz parte de um universo maior de questões mais abrangentes e, sobretudo, mais transversais. Já tem um imaginário plural que toca aspectos de naturezas encontradas. Longe, portanto, da física comensurada, tranquilizadora, de uns limites geográficos que respondem a uma narrativa temática, e mais perto das distorções significativas de índole social, tecnológica, cognitiva, epocal. Ainda mais em nosso tempo cheio de mudanças e transformações de signo diverso (com a concorrência das novas coordenadas espaço-temporais, a globalização, a pós-história, a tecnologização do mundo, a crise ambiental, a procura de novas cosmologias etc.), o que desloca o sentido das antigas semânticas, fixadas unidimensionalmente em um sentido único.

Por um lado, a história contemporânea, a de nossos dias mais recentes, tem não só modificado a noção alfandegária, imóvel, de fronteira, como há desvirtuado algumas antigas, espacialmente, no próprio plano do território. Fruto de conflitos históricos e de diversos tipos, tem-se mudado fronteiras, regiões, países, trocando de signo e realidade a vida de populações inteiras. Nossa época vive um grau de incerteza tal que as noções físicas e simbólicas de local, lugar, fronteira têm sofrido uma grande erosão e transformação, para o bem e para o mal. Agora já sabemos que há fronteiras reais e também invisíveis que se contradizem e estabelecem litígios nada pacíficos. Que a fronteira pode ser várias coisas ao mesmo tempo.

Por outro lado, a arte sempre foi um espaço de fronteira, um hiato entre o reino da linguagem e o da realidade, um estado limiar, de natureza flutuante, não fixa. De fato, quando a arte não foi essa dupla vigília, essa cisão atávica da representação, da linguagem? Essa possibilidade de nomear o habitat desde a linguagem, ainda de religar-se como um novo lugar?

Temos ante nós dois movimentos: a geografia mutante da história e seus correlatos espaciais e a geografia mutante da arte e suas derivas linguísticas, em sintonia e em diferença, em convergência e também em divergência. E neste âmbito se oferecem alguns aspectos contaminantes: o sujeito do século XXI vive uma nova condição de fronteira, com experiências contrapostas, enfrentadas de alteridade e ensimesmamento. De violência, domesticação e xenofobia (a chamada crise de refugiados, ou das novas ondas emigratórias intercontinentais, e a intercomunicação planetária revelam quanto a palavra fronteira está implodida e explodida, e, em consequência, necessitada de novas avaliações e atualizações). Estamos, pois, numa nova situação de refronteiras e desfronteiras, de novos agrupamentos socioespaciais, territoriais, assim como de novas experiências artísticas de arte-fronteira, presença de artistas nômades ou deslocados de sua origem, a contar com a existência de trabalhos em parcerias interculturais, além de ampliar-se cada vez mais o campo das fronteiras entre linguagens e sua interligação.

A Bienal de Curitiba de 2019 pretende incorporar esta instigante condição contemporânea aludida, abrindo mais suas fronteiras expositivas, criando inclusive sedes parciais e convergentes em outros países – janelas para outra plataforma –, religando-se a artistas do mundo inteiro, à produção artística de todos os pontos cardinais do globo, e, nesta edição, dando destaque à produção de países de outra geopolítica emergente como o BRICS, com sua nova órbita intercontinental, assim como de países significativos e simbólicos da Europa, uma cartografia imprescindível e tão estreitamente ligada histórica e culturalmente às Américas, à América Latina, ao Brasil e, concretamente, a Curitiba. Não só o melting pot cultural europeu, sua riqueza e diversidade, teve uma transculturalização inédita no continente americano, uma criação autônoma – antropofagia e mestiçagem inauditas – sempre digna de independência, mas também de religação e dialética de entremundos, como as novas interconexões territoriais-culturais de nossa época globalizada. E a vocação reconhecida dos artistas sempre foi a de revalorizar seu papel de conectores, contribuir para o work in progress que é todo processo de pesquisa artística, imagética para atingir novos estados de consciência da realidade circundante e dos problemas atemporais da condição humana. E, por consequência, contribuir com novos pensamentos na construção e processo de outra história.

A arte, e ainda mais quando cumpre uma função especulativa e simbólica – tradutora e interpretativa – dentro de uma Bienal é uma tarefa reflexivo-social de grande destaque e responsabilidade na sociedade estetizada de hoje, seja como vitrine onde se vinculam a arte e a cultura, seja como local de ação que reflete também o espírito de seu tempo. A Bienal, a arte-fronteira, revela por sua vez o seu próprio olhar das coisas, dos contextos, pois não deixa de ser nunca a arte e suas circunstâncias. E seu sonho quimêrico de fronteiras abertas, melhor dizendo, de fronteiras em aberto, pois sempre é uma cara utopia em andamento, experimental, onde o que se desenha no fundo é a promessa de outra condição humana, o aberto de uma esperança crítica. O devir de outro sensorium, novo contato com o sensível, livre produção do ser. Uma linguagem antídoto contra o fundamentalismo, a visualidade instrumentalizada, que ainda abriga um singular benefício espiritual. Porque enquanto espaço para revelações e análises imagéticas, a arte também funciona como bússola de outro mapa em movimento, em curso, uma cartografia melhor: oferecendo um repertório único de sinais, uma nova sinalética.

Adolfo Montejo Navas, Curador

Nasceu em Madri, Espanha, em 1954, mas mora no Brasil há 26 anos. É poeta, artista visual, crítico e curador independente. Colaborador de diversas publicações culturais da Espanha, Brasil, América Latina. É pesquisador de arte contemporânea internacional e brasileira e autor de livros de Anna Bella Geiger, Victor Arruda, Regina Silveira, Iberê Camargo, Paulo Bruscky e outros renomados artistas. Realizou inúmeras curadorias monográficas no Brasil e Espanha (últimas em destaque, Arruda Victor, MAM, RJ, 2018 e Arthur Omar – A origem do rosto, SESC, SP, 2018). Recentemente publicou Fotografia e poesia (afinidades eletivas), UBU, 2017 e Poemas casuais, outros, Medusa, 2018. Entende todo seu trabalho crítico, curatorial, literário e de projetos culturais como fronteiriço e transversal. Alguns frentes de pesquisa são a teoria da imagem e a fotografia, a poesia visual, as relações e afinidades palavra/imagem. Curador da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba 2019.

Tereza de Arruda, Curadora

Historiadora da arte e curadora independente, vive desde 1989 entre São Paulo, Brasil, e Berlim, Alemanha, onde estudou história da arte na Universidade Freie Berlim.

Curadora de diversas exibições como Ilya e Emilia Kabakov, Kunsthalle Rostock; Chiharu Shiota, SESC/São Paulo e Kunsthalle Rostock; Katharina Sieverding, Fototeca de Cuba; India Side by Side, Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília; Sigmar Polke die Editionen, MASP/São Paulo e Me Collectors Room/Berlim; InterAktionBrasilien em Sacrow, Schloß  Sacrow / Potsdam; Wang Qingsong no at Køs Museum for Kunst in Copenhagen; WANG CHENGYUN, TodayArtMuseum de Pequim; Se não neste tempo- Pintura Contemporânea Alemã com Teixeira Coelho Netto no MASP/São Paulo entre outras. Colaboradora da Bienal de Havana, Cuba, desde 1997. Co-curadora da Bienal Internacional de Curitiba em 2009, 2013, 2015 e 2017.

Edital Aberto para CUBIC 4

As inscrições para o CUBIC 4 - Circuito Universitário da Bienal Internacional de Curitiba já estão abertas. Os interessados deverão efetuar a inscrição de acordo com as instruções do edital, contendo todas as informações a respeito de prazos de inscrição, datas de realização do circuito e demais informações. O edital pode ser acessado através deste link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdOai6JjuKBcoioeYdQdGx9dJA6YPnmOFUOoSP1aQ7enxaPZw/viewform

O CUBIC foi criado em 2013, na edição comemorativa de 20 anos da Bienal de Curitiba. Sob curadoria de Stephanie Dahn Batista e Ângelo Luz, o Circuito Universitário foi criado com a intenção de integrar os cursos de Ensino Superior das Artes Visuais nas diferentes instituições de Curitiba, criando diálogo, troca de experiências e visibilidade às pesquisas poéticas dos e das estudantes. Em sua primeira edição, contou com a participação de 38 jovens artistas, que puderam apresentar seus trabalhos em diferentes espaços da cidade.

Em sua segunda edição, em 2015, o CUBIC expandiu seu critério de seleção, possibilitando a inscrição de artistas de outras áreas de conhecimento, e não apenas das Artes Visuais. Com isso, abriu maior espaço para visibilidade da arte emergente na cidade, independente de seu lugar de origem. No CUBIC 2, solidificou-se o caráter interdisciplinar e de ponte de conexão.

Em sua última edição, realizada em 2017, o CUBIC cresceu ainda mais, contemplando trabalhos de estudantes de outras localidades, através convênio da Bienal de Curitiba com a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e a UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina). Além disso, houve a participação especial de universidades de Córdoba (Argentina) e de Assunção (Paraguai), a fim de ampliar o intercâmbio de trabalhos entre as regiões da América Latina.

Ao todo, o CUBIC contribuiu com que o trabalho de cerca de 100 jovens artistas fossem apresentados.

Curadoria

Idealizadora do Circuito Universitário, Stephanie Dahn Batista nasceu em Hannover, cidade ao norte da Alemanha. Possui graduação e mestrado em História da Arte, Ciências Culturais e Ciências Políticas pela Westfälische Wilhelms-Universität, Münster (2000) e doutorado em História pela Universidade Federal do Paraná (2011). Desde 2008 é professora de História da Arte da Universidade Federal do Paraná no Departamento de Artes. Atualmente é também vice-diretora do Setor de Artes, Comunicação e Design (SACOD) da Universidade.

Suas pesquisas giram em torno de temas como História da Arte, Crítica da Arte, Artes Visuais, corpo e gênero. Realizou curadorias no MAC/PR - Museu de Arte Contemporânea do Paraná, atuou como coordenadora curatorial dos Jovens Curadores da Bienal Internacional de Curitiba (2013) e como curadora do CUBIC em todas suas edições.

Edições anteriores da Bienal de Curitiba

Acesse aqui os sites das edições anteriores da Bienal de Curitiba e relembre sobre artistas, obras, espaços, curadores e a programação de todas as edições passadas. Você também encontra aqui informações sobre a FICBIC e Curitiba Literária, além de outras publicações feitas pela Bienal.

Na aba “Acessar Publicações” estão disponíveis para leitura todos os catálogos publicados pela Bienal desde 2007: são livros, catálogos, guias e programações disponíveis no ISSUU, com acesso gratuito.

12a Edição

11a Edição

10a Edição

09a Edição

08a Edição

06a Edição

05a Edição

04a Edição

03a Edição

02a Edição

01a Edição

Publicações

Tudo sobre o Cine Móvel - projeto do FICBIC

O Cine Móvel, projeto do Festival de Cinema da Bienal de Curitiba (FICBIC), espalhará em 2019 o universo cinematográfico ao público de 39 municípios do Paraná, em cidades até 50 mil habitantes – uma de cada microrregião. O objetivo principal é formação de público de cinema e criação de acesso e estímulo ao cinema nacional.

O projeto itinerante será conduzido em três frentes: Oficina de Cinema no Celular, Cinema na Escola e Cinema na Praça. Primeiro será realizada a oficina com alunos da rede estadual de ensino, com a produção de vídeos de até 1 minuto. Num segundo momento os filmes produzidos durante as oficinas serão apresentados na praça da cidade junto a um longa-metragem nacional e, fechando a série de eventos, serão exibidos curtas nacionais nas escolas que receberam as oficinas.

A Oficina de Cinema no Celular reunirá alunos do Ensino Médio com idades entre 14 e 17 anos que irão produzir vídeos com até 1 minuto de duração. A oficina tem objetivo introduzir e disseminar a cultura cinematográfica, utilizando a história do cinema para suporte e os celulares para as criações de filmes de ficção ou documentários. Os filmes produzidos pelos estudantes serão exibidos antes da sessão de cinema brasileiro ao ar livre nos municípios e estarão disponíveis no canal do YouTube da Bienal de Curitiba, dentro da playlist “Cine Móvel”.

Na proposta Cinema na Escola, as escolas da rede estadual do Paraná selecionadas para o projeto irão receber exibições de curtas-metragens brasileiros. Após as sessões dos filmes, um orientador de atividades criará diálogos de reflexões e debates com os alunos.

No Cinema na Praça, o público será aproximado ao cinema brasileiro através de sessões de filmes nacionais premiados com narrativas contemporâneas.  Antes da exibição do longa-metragem haverá uma sessão dos curtas realizados na Oficina de Cinema no Celular pelos alunos da rede estadual de cada município.

Os filmes exibidos possuem classificação livre ou 12 anos, sendo um programa voltado para vários públicos, envolvendo não somente os alunos mas a população em geral de cada município. A curadoria do Cine Móvel pré-selecionou 3 filmes brasileiros, de forma que cada que cidade participante pudesse escolher um deles para exibição. A programação é totalmente gratuita.

Os municípios que receberão a itinerância são: Campina Grande do Sul, Palmeira, Cerro Azul, Lapa, Rio Azul, Corbélia, Guaíra, Itaipulândia, Capanema, Santo Antônio do Sudoeste, General Carneiro, Palmas, Coronel Vivida, Laranjeiras do Sul, Prudentópolis, Floraí, Loanda, Rondon, Cruzeiro do Oeste, Goioerê, Pitanga, Luiziana, Ivaiporã, Califórnia, Porecatu, Ibiporã, Assaí, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Wenceslau Braz, Ibaiti, Faxinal, Mandaguari, Astorga, Guaratuba, Sengés, São Mateus do Sul, Rio Negro e Tibagi.

Para mais informações, acesse o site e o Instagram do projeto:

http://bienaldecuritiba.com.br/cine-movel/
http://instagram.com/ficbic